Fernando Cunha explica!!! O por quê, que a Base Alida tem que permanecer unida...O chapão de 2002
A propósito de notícias divulgadas na semana passada pelo Giro de que grupos dos diversos partidos da base aliada estariam se organizando para lançar chapa isolada para as eleições de 2010, me vem à mente as eleições de 2002, quando a mesma hipótese foi levantada. Havia a possibilidade de 3 grupos: 1 do PP, outro do DEM, e outro do PSDB. Todos, com outros partidos aliados.Defendi a tese, com número e informações, de que a fórmula matemática que define a distribuição da chapa proporcional priorizou a chapa mais forte de maneira tal a fazer com que esta eleja mais deputados ou vereador do que a simples divisão proporcional.Depois de conversar com as lideranças dos diversos partidos aliados, inclusive com o governador Marconi e dr. Alcides, deputado Balestra, deputado Ronaldo Caiado, deputado Wilmar Rocha, marcamos uma reunião, que aconteceu em minha residência. A reunião durou de 20 horas à 1h30, mas foi extremamente proveitosa. Presentes: Dr. Alcides e Balestra pelo PP; Ronaldo Caiado e Wilmar Rocha pelo (então) PFL; e Prof. Jonas e eu pelo PSDB.Naquela noite extremamente agradável e, numa conversa de adultos politicamente e pés no chão, chegamos à conclusão de que deveríamos lançar uma superchapa para deputado federal e estadual da base aliada. O governador Marconi aprovou a decisão e o resultado foi o melhor possível.Em 98 havíamos eleito pelos diversos partidos aliados 5 deputados federais dos 17 da bancada:
Ronaldo Caiado, com 100.446 votos;
Lucia Vânia, com 69.716 votos;
Jovair Arantes, com 56.422 votos;
Roberto Balestra, com 51.514 votos;
Vilmar Rocha, com 41.710 votos;
e 11 estaduais:
1 - Sebastião Tejota, com 20.008 votos;
2 - Pastor Benedito Lopes Marinho, com 19.865 votos;
3 - Tião Caroço, com 19.405 votos;
4 - Luiz Moura, com 18.862 votos;
5 - Dr. Célio Silveira, com 16.306 votos;
6 - Nédio Leite, com 2.262 votos;
7 - Honor Cruvinel, com 14.816 votos;
8 - Lila Spadone, com 12.197 votos;
9 - Jales Fontoura, com 17.465 votos;
10 - Prof. José Luciano, com 11.940 votos;
11 - Samuel Almeida, com 11.908 votos.
Com a formação do chapão em 2002, passam de 5 para 11 deputados federais. Foram eleitos:
1 - Henrique Meirelles (183.046 votos);
2 - Sandro Scodro (Mabel) (147.387 votos);
3 - Raquel Teixeira (126.854 votos);
4 - Sandes Júnior (126.777 votos);
5 - Ronaldo Caiado (114.728 votos);
6 - Jovair Arantes (98.784 votos);
7 - Roberto Balestra (76.851 votos);
8 - Wilmar Rocha (70.497 votos);
9 - Carlos Alberto da Silva (67.586 votos);
10 - Leonardo Vilela (63.715 votos);
11 - João Campos de Araújo (61.323 votos);
E os deputados estaduais passaram de 11 para 25:
1 - Célio Antônio da Silveira (48.185 votos);
2- Sebastião Tejota (40.249 votos);
3 - Laudeni Lemes (35.784 votos);
4 - Honor Cruvinel (34.682 votos);
5 - Ozair José da Silva (30.354 votos);
6 - Nédio Leite de Assunção (29.565 votos);
7 - Ernesto Guimarães Roller (29.464 votos);
8 - Walter Inácio do Nascimento (28.903 votos);
9 - Raquel Mendes Vieira Rodrigues (28.447 votos);
10 - Francisco Gomes de Abreu (27.844 votos);
11 - Nilo Sérgio de Resende Neto (27.380 votos);
12 - Samuel Guilsimar de Almeida (25.047 votos);
13 - Flávia Morais (23.842 votos);
14 - Jardel Sebba (23.711 votos);
15 - Daniel Messac de Morais (23.509 votos);
16 - Welington José de Camargo (23.249 votos);
17 - Carla Cíntia Santillo (22.002 votos);
18 - Kennedy de Sousa Trindade (20.845 votos);
19 - Helder Valin Barbosa (20.334 votos);
20 - Daniel Augusto Goulart (19.472 votos);
21 - Aloísio Moreira dos Santos (19.470 votos);
22 - Marco Antônio Ferreira (19.043 votos);
23 - Abdul Sebba (14.880 votos);
24 - Heleandro Ferreira de Sena (12.847 votos);
25 - Misael Pereira de Oliveira (11.220 votos);
Nessa mesma eleição, Leonardo Vilela foi eleito deputado federal com 63.715 votos e João Campos, com 61.323, e Aldo Arantes, com 66.247 votos perdeu a eleição.Na eleição de 2006, o PFL, que se transformou em DEM, resolveu fazer carreira solo. Chapa própria. E o resultado foi que o partido que havia eleito 3 deputados em 2002 (Ronaldo, Wilmar e Sandro Mabel) com apenas 322.912 votos (para um cociente eleitoral de aproximadamente 200 mil votos), elegeu apenas Ronaldo Caiado, sendo que Wilmar, com 73.029, perdeu e Pedro Wilson, com 49.949, ganhou. Se fosse mantido o chapão em sua integralidade anterior, Wilmar Rocha teria sido eleito (73.029 votos) no lugar de Pedro Wilson (49.949 votos).O PP, com mais juízo, prevaleceu coligado na chapa aliada. Elegeu Roberto Balestra (102.129 votos) e Sandes Júnior (93.168 votos), ficando Leonardo Velozo como primeiro-suplente.Se tivesse feito carreira solo, possivelmente teria eleito apenas um deputado (o cociente eleitoral foi de mais de 200 mil votos).Por isso voltamos à tese: a desunião só prejudica os candidatos. Os exemplos de 2002 e 2006 demonstram isso.
Fernando Cunha é secretário de Governo. Escrito no Diário da Manhã.
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